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2025

Mais um ano se encerra, um ano difícil, complicado, doloroso, traumático. E apesar de tudo, aqui vamos nós, chacoalhando a poeira...
2025
Gender #2, from the series Reflections on Gender, by Gabriela Faria Woellner

Mais um ano se encerra, um ano difícil, complicado, doloroso, traumático. E apesar de tudo, aqui vamos nós, chacoalhando a poeira e esperando que 2026 seja diferente, seja melhor. O negócio é que se a gente não mudar em 2026, nada vai mudar. Se a gente teimar em manter os mesmos posicionamentos, os mesmos hábitos, as mesmas ilusões, nada nunca vai mudar. 

Cabe a cada um avaliar suas escolhas com honestidade e tomar responsabilidade por sua parte no efeito coletivo de suas escolhas. Sim, porque toda escolha, seja ela pequena ou grande, tem uma repercussão ao nosso redor. Não somos ilhas, isoladas umas das outras. Somos membros de uma espécie animal dominando esse planeta e o tratando como um playground, sem respeito pelos outros habitantes desse mesmo planeta. Estamos consumindo recursos e produzindo lixo sem parar para pensar, para refletir, para mudar nosso rumo. Essas guerras sem sentido, essa pobreza criada pelo homem, esses horrores todos cometidos em nome de um capitalismo desenfreado têm que acabar. 

Nossa missão na Terra não é fazer dinheiro para acumular bens materiais infinitamente. Nossa missão aqui é aprender o máximo possível e evoluir através do amor ao próximo. E esse próximo é cada ser vivo ao seu redor, seja planta, animal, fungo, etc. Nós somos microorganismos vivendo no ventre de um macroorganismo mágico chamado Terra. Nossa Mãe. Somos todos interconectados com toda a vida ao nosso redor, hoje e pra sempre. Eu sou autista, e sinto essa conexão nas minhas células, nos meus ossos. É difícil colocar em palavras. 

Por muitos anos eu achei que todos sentiam essa conexão, e ficava perplexa com o descaso das pessoas em relação aos seres humanos abandonados pela sociedade, aos animais sendo torturados e sacrificados pro consumo humano, ao sofrimento alheio. Escutei horrorizada várias justificativas pra todo esse sofrimento, como se fosse inevitável, como se não tivéssemos escolha. Mas política e religião são invenções HUMANAS (patriarcais) para dominar outros seres vivos e justificar o injustificável. Todo ser humano nasce com o livre arbítrio e tem capacidade (e a responsabilidade) de questionar as regras e crenças e determinar o que está em linha com seus valores internos e o que não está mais se encaixando.

Esse questionamento é indispensável para nossa evolução e leva tempo, pois carregamos várias camadas de programação familiar e cultural que nosso ego frágil usa como proteção. Eu levei MUITO tempo para entender que estar errada não me fazia inamável. Que era normal falhar, pedir desculpas e mudar de opinião ou direção. Tive que aprender a ser mais humilde e a me acolher quando o ego doía, e cresci muito com cada experiência. Muitos de nós fomos endoutrinados a igualar ESTAR certo com SER bom, mas ao insistirmos em ser donos da verdade caímos num ciclo perpétuo de culpar algo ou alguém fora de nós por nossos problemas. Essa estagnação nos impede de crescer e de transformar o nosso contexto, e o mundo atual precisa desesperadamente que a gente evolua como espécie antes que seja tarde demais para todos nós.

Mudança raramente acontece do dia pra noite. Mudança acontece devagarinho, um dia de cada vez, uma escolha diferente de cada vez. E essas escolhas têm um efeito acumulativo. Em 2020 eu decidi finalmente virar vegetariana, e dali me levaram 2 anos para eliminar carne de todas as refeições pois tive que reaprender a cozinhar e isso leva tempo. Em 2025 eu passei a comprar a maioria dos alimentos na feira, diretamente dos agricultores locais, e a cozinhar a maioria das minhas refeições em casa. Eu também diminui significativamente a quantidade de produtos industrializados que usava, usei meio de transporte público mais do que carro/Uber, e viajei menos para explorar mais opções de lazer aqui perto. 

Em 2026 eu quero continuar a questionar tudo, a evoluir, e a mudar o mundo como eu posso. Eu quero me desapegar ainda mais das coisas materiais, passar mais tempo na natureza, e dedicar menos da minha energia ao que não alimenta minha alma. Eu quero escrever mais, muito mais, e produzir muita arte visual pra relatar sobre a realidade do “sonho americano” que me trouxe pra cá há 30 anos atrás, sobre viver com COVID Longa nesse mundo capacitista, sobre ser uma artista autista e queer no pesadelo fascista americano. Quer embarcar comigo nessa aventura? É só subscribe. 

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